A revista Ecologie & Politique dedica na sua última edição espaço editorial à artificialização da gravidez : Útero artificial: uma gravidez sem mãe?.
Aprendemos que, após o desenvolvimento das técnicas de procriação medicamente assistida, os pesquisadores da biotecnologia estão a trabalhar no “desenvolvimento de um meio de conceber e desenvolver o embrião humano fora do corpo feminino”.
Restam alguns obstáculos técnicos, mas usar o útero artificial para “dar à luz um embrião sem passar pelo útero não seria mais ficção científica”. Enquanto médicos, empresários ou filósofos se alegram com o fato de que em breve
“o corpo feminino” não será mais “o lugar necessário para a gestação”, os colaboradores da revista estão preocupados com essa mudança.
Segundo eles, a passagem do ato de “dar à luz” para o de “gerar um filho” não é neutral. É acompanhado por uma fantasia do filho perfeito, cujas falhas podem ser corrigidas com antecedência, e é baseado num processo simplificado semelhante à “criação industrial”.
A feminista italiana Silvia Guerini se preocupa com o curioso mundo “sem mãe” que ela introduz.
Defesa à esquerda
Refere a revista que, no entanto, esses “avanços tecnológicos” são defendidos pela esquerda, inclusivé por
ativistas ambientais surpreendentemente leais ao mantra da sociedade industrial: “Qualquer coisa que você imaginar que pode criar, deve ser”.
O filósofo Renaud Garcia chega a acusar as correntes feministas e LGBT+ de construir “aceitabilidade
social” para práticas que não constituem um verdadeiro progresso humano.
Ao longo das contribuições, a supermedicalização da gravidez e do parto também é questionada. A redação tem o cuidado de precisar que defende “a importância da intervenção médica quando necessária”, mas o assunto é polémico, e um “artigo de contraponto” é anunciado para o próximo número.
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