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O Sagrado: o livro que revelou o mistério que a razão não explica

Publicado em 1917, O Sagrado, de Rudolf Otto, continua a ser uma das obras mais influentes para entender a experiência religiosa. Otto apresentou um conceito que mudou tudo: o numinoso — aquilo que sentimos diante do divino e que nenhuma lógica consegue traduzir. É o encontro com o mistério que fascina e assusta ao mesmo tempo.

Otto chamou-lhe mysterium tremendum et fascinans: um mistério que provoca temor, reverência, sensação de pequenez; e, ao mesmo tempo, fascínio, atração, desejo de aproximação. É o lado irracional do sagrado, que convive com o racional — justiça, bondade, sabedoria — mas nunca se reduz a ele.

A força do livro está aí: Otto mostra que o sagrado não é apenas cultura, moral ou tradição. É uma experiência existencial, universal, que atravessa religiões, épocas e geografias. Por isso influenciou nomes como Mircea Eliade e Paul Tillich e continua a ser estudado em teologia, filosofia e ciências da religião.

Em Portugal, a edição das Edições 70 tornou a obra acessível a novas gerações — e ela permanece atual porque toca na pergunta essencial: como o ser humano se relaciona com o mistério que o ultrapassa?

Num mundo acelerado, hiper-racional e saturado de explicações, Otto lembra-nos que há dimensões da vida que não se explicam — apenas se vivem.

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