Em entrevista ao elDiario.es após receber o doutoramento honoris causa em Barcelona, Judith Butler analisa a ascensão global do autoritarismo, responsabiliza o capitalismo pelo caos político e defende que a esquerda precisa abandonar o elitismo e voltar a falar às emoções e aos medos reais das pessoas.

Judith Butler, recém‑distinguida com um doutoramento honoris causa pela UAB, afirma que as democracias correm o risco de eleger líderes capazes de destruir o próprio sistema. Para a filósofa, o fascismo contemporâneo renova‑se através de partidos que rejeitam o rótulo mas mantêm práticas autoritárias — da eliminação de direitos à centralização do poder.
Butler identifica o capitalismo global como motor da instabilidade e critica também a esquerda, que considera “excessivamente analítica e intelectual”, afastando‑se das preocupações reais da população. Defende que é preciso falar de amor, empatia e tradições não nacionalistas, em vez de ceder ao discurso de ódio da direita.
A teórica alerta ainda para o perigo de líderes como Donald Trump, que, segundo ela, podem tentar manipular eleições e restringir direitos civis. E sublinha que o autoritarismo cresce alimentado por medos — da migração ao futuro económico — que só podem ser enfrentados com diálogo, consciência e educação.
Butler rejeita as redes sociais, que considera “tóxicas”, mas reconhece o seu poder mobilizador. E conclui: sem escuta, respeito e contacto entre diferentes sensibilidades, o medo transforma‑se em ódio — e o terreno fica fértil para novas formas de fascismo.
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Quem é Judith Butler
Judith Butler é uma das filósofas mais influentes do mundo contemporâneo, especialmente nas áreas de feminismo, teoria queer, filosofia política e ética. É também uma figura pública frequentemente entrevistada por meios progressistas — como eldiario.es — e convidada por universidades europeias, incluindo Barcelona, onde tem sido homenageada pela relevância académica e impacto cultural.
🧠 A perfomatividade do género
Nasceu em (n. 1956, Cleveland, EUA) e é conhecida sobretudo pela teoria da performatividade de género, apresentada em Gender Trouble (1990) e Bodies That Matter (1993). Esta teoria desafia a ideia de que o género é natural ou biológico, defendendo que é construído através de normas sociais e práticas repetidas.
Butler é professora na Universidade da Califórnia, Berkeley, onde ocupa a posição de Maxine Elliot Professor nos departamentos de Retórica e Literatura Comparada, e também detém a Hannah Arendt Chair na European Graduate School.




