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Para os Sábios Com Uma Certa Idade

Durante muitos anos, as atividades desenvolvidas em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, Centros de Dia e outras respostas sociais foram frequentemente entendidas como uma forma de “ocupar o tempo”.

Hoje, importa reforçar uma ideia diferente: uma atividade não deve ser avaliada apenas pelo facto de ter sido realizada, mas pelo significado que tem para quem participa e pelo envolvimento que consegue promover.


A Organização Mundial da Saúde define o envelhecimento saudável como o processo de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional que permite o bem-estar na idade avançada. Esta perspetiva inclui a possibilidade de continuar a aprender, tomar decisões, estabelecer relações e participar na sociedade.

Por isso, uma atividade pode ser muito mais do que um momento recreativo: pode proporcionar estimulação cognitiva, expressão emocional, interação social, reminiscência ou simplesmente prazer.

Para que tenha significado, contudo, precisa de ser adequada às características, interesses, capacidades e preferências de quem participa. A investigação mostra que fatores como o tamanho do grupo, o ambiente e a forma como a atividade é apresentada podem influenciar significativamente o envolvimento, particularmente nas pessoas com demência.

Assim, não basta perguntar “Que atividade vamos fazer hoje?”. É necessário perguntar: Para quem é? Que capacidades queremos estimular? Que significado poderá ter? Como podemos adaptá-la para que todos possam participar?

Esta questão é particularmente importante na demência. A existência de alterações cognitivas não elimina interesses, emoções, relações ou necessidade de significado. A abordagem centrada na pessoa, associada ao trabalho de Thomas Kitwood, contribuiu precisamente para esta
mudança de paradigma: a pessoa não deve ser reduzida ao diagnóstico ou às suas perdas cognitivas; a sua identidade, história de vida e relações continuam a ser fundamentais (Kitwood, 1997).

Uma atividade de reminiscência pode, assim, ser uma oportunidade para recuperar parte da identidade. Uma música pode despertar uma memória significativa. Uma dinâmica de grupo pode criar oportunidades de comunicação, cooperação e pertença. É esta diferença que transforma uma atividade numa experiência significativa.

A evidência científica apoia esta perspetiva. Revisões sistemáticas apontam para benefícios das atividades significativas ao nível do envolvimento, prazer, bem-estar e, em alguns contextos, qualidade de vida.

No caso da estimulação cognitiva, uma revisão Cochrane concluiu que os programas dirigidos a pessoas com demência podem produzir benefícios na cognição e resultados promissores ao nível do bem-estar e da qualidade de vida, embora a magnitude dos efeitos varie entre estudos.

Mas uma atividade, por si só, não garante um resultado positivo. Pode ser demasiado difícil, longa ou pouco apelativa para determinado grupo. Pode também revelar uma respostainesperadamente positiva e descobrir interesses que merecem ser explorados noutras sessões. É
precisamente por isso que avaliar as atividades é tão importante.

Na prática quotidiana, é frequente registarmos que uma sessão aconteceu e quantas pessoas participaram. Mas isso não nos diz necessariamente se houve envolvimento, prazer, interação, estimulação das capacidades pretendidas ou adequação ao grupo.

Avaliar permite transformar estas observações em informação útil para a intervenção. Não se trata de classificar a pessoa idosa, nem de criar burocracia adicional. Trata-se de observar para compreender, compreender para adaptar e adaptar para melhorar.

Foi precisamente desta necessidade que nasceu o livro Para os Sábios com uma Certa Idade! –
Atividades e Dinâmicas de Grupo para Idosos com e sem Demência.


A obra reúne propostas práticas que procuram promover participação, estimulação, interação e significado, podendo ser adaptadas a diferentes pessoas e contextos de intervenção. A acompanhar o livro surge o Kit Profissional Horizonte Vivo – Avaliação e Monitorização de
Atividades, concebido para ajudar os profissionais a registar, refletir e acompanhar o impacto das sessões.
Porque uma atividade não deve existir apenas para preencher um espaço na agenda. Deve existir para criar uma oportunidade. Uma oportunidade para recordar, comunicar, experimentar, criar, rir, participar, sentir-se capaz e pertencer. E talvez a verdadeira questão não seja apenas: “Que atividade vamos fazer hoje?” Mas sim: “Que experiência queremos proporcionar a quem está à nossa frente — e como
saberemos se ela teve significado?”

Referências bibliográficas

Cohen-Mansfield, J., Dakheel-Ali, M., Marx, M. S., Thein, K., & Regier, N. G. (2015). Which unmet needs
contribute to behavior problems in persons with advanced dementia? Psychiatry Research, 228(1), 59–64.
Kitwood, T. (1997). Dementia reconsidered: The person comes first. Open University Press.
Trahan, M. A., Kuo, J., Carlson, M. C., & Gitlin, L. N. (2014). A systematic review of strategies to foster activity
engagement in persons with dementia. Health Education & Behavior, 41(1 Suppl.), 70S–83S.
Uceda Portillo, C., Calvo Arenillas, J. I., & Moruno Miralles, P. (2023). Occupational therapy interventions for the
improvement of the quality of life of healthy older adults living in nursing homes: A systematic review.
American Journal of Health Promotion, 37(4), 549–561.
Woods, B., Rai, H. K., Elliott, E., Aguirre, E., Orrell, M., & Spector, A. (2023). Cognitive stimulation to improve
cognitive functioning in people with dementia. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2023(1), Article
CD005562.
World Health Organization. (2021). Decade of healthy ageing: Baseline report. World Health Organization.

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