Nos primeiros anos de vida decide‑se muito mais do que o crescimento: decide‑se futuro, saúde e igualdade. As novas orientações da Direção‑Geral da Saúde para a oferta alimentar nas creches chegam para corrigir desigualdades, travar a obesidade infantil e assegurar que cada criança, independentemente da sua origem, tem acesso diário a uma refeição segura, equilibrada e promotora de bem‑estar. É um passo decisivo para que a infância em Portugal seja, finalmente, um território de justiça.
A alimentação nas creches tem novas normas regulatórias. A Direcção Geral da Saúde entende que a intervenção nesta fase da vida assume particular relevância.
Os primeiros 1000 dias, desde a conceção até aproximadamente aos 2 anos de idade, constituem um período particularmente importante para o crescimento e desenvolvimento da criança e para a formação de preferências e hábitos alimentares, com impacto na saúde ao longo da vida – considera a DGS.
Resumo das novas normas:
Importância da alimentação na primeira infância
- A alimentação nos primeiros anos é determinante para saúde, crescimento e desenvolvimento.“A alimentação nos primeiros anos de vida constitui um dos mais importantes determinantes da saúde…”
- Os primeiros 1000 dias são críticos para criar hábitos saudáveis e prevenir doenças futuras.
Situação atual em Portugal
- Obesidade infantil elevada: 31,9% das crianças entre 6–8 anos têm excesso de peso; 13,5% obesidade.
- Padrões alimentares inadequados surgem antes dos 3 anos:
- Baixo consumo de hortícolas.
- Consumo frequente de bebidas açucaradas e doces.
- Excesso de sal.
Desigualdades sociais
- Famílias com baixos rendimentos têm maior dificuldade em garantir alimentação saudável.
- Durante a pandemia, muitas crianças perderam acesso a refeições equilibradas fornecidas pelas creches.
Papel das creches
- As creches influenciam fortemente:
- Consumo alimentar diário
- Preferências alimentares
- Autonomia e competências sociais
- A alimentação é parte da qualidade pedagógica e do bem‑estar.
Problemas identificados nas creches
- Oferta excessiva de alimentos ricos em açúcares simples nos lanches.
- Refeições principais desequilibradas:
- Excesso de hidratos de carbono.
- Falta de hortícolas, leguminosas, peixe gordo e ovo.
Necessidade de orientações nacionais
- Até agora não existiam normas específicas para creches, gerando grande heterogeneidade.
- Estas orientações pretendem harmonizar práticas e apoiar tecnicamente as instituições.
Enquadramento político e estratégico
- Articulam-se com:
- Garantia Europeia para a Infância
- PNPAS 2022–2030
- Roteiro para a Prevenção da Obesidade
- Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025–2035
- Contribuem para assegurar uma refeição saudável por dia letivo a todas as crianças.
Objetivos das orientações
- Garantir alimentação adequada, segura e equilibrada.
- Reduzir desigualdades em saúde.
- Promover ambientes alimentares saudáveis.
- Assegurar continuidade entre creches e restantes níveis de ensino.
- Apoiar práticas baseadas na melhor evidência científica.
Direitos da criança
- A alimentação adequada é parte dos direitos:
- Saúde
- Desenvolvimento
- Bem‑estar
- Contribui para prevenir obesidade e doenças crónicas ao longo da vida.




