Mário Soares, La Liberté à Paris

PARIS –  A 31 de Janeiro a cidade de Paris homenageou Mário Soares, Democrata, Republicano, Socialista e lutador incansável pela Liberdade. Este ato de gratidão da cidade que o acolheu em tempo de exílio político cobre também a boa memória daqueles que não sendo agora citados estiveram na sombra da ribalta para garantir a liberdade dos nossos dias.

Jardim Mario Soares em Paris, janeiro de 2026

Esta homenagem a Mário Soares foi iniciativa de Anne Hidalgo, presidente da Câmara de Paris, que lembrou o político português “pai da democracia portuguesa” sublinhado ela que Soares “manteve laços estreitos com a França”.

Recorde-se que Soares esteve exilado em França durante quatro anos, entre 1970 e 1974  para proteção da perseguição política que lhe era movida pela ditadura do Estado Novo, após forte hostilidade desencadeada pela PIDE.

Acresce que o Partido Socialista português tinha sido fundado na Alemanha, em Bad Münstereifel, no dia 19 de abril de 1973, na sequência do agrupamento de opositores ao Estado Novo sob a égide da Acção Socialista Portuguesa (ASP), criada em 1964.

A Memória Necessária

Foi pela página de João Soares que acompanhamos a homenagem feita em Paris; simples, singela, quase em exclusivo ambiente familiar. E decidimos que nos debruçaríamos sobre o tema no nosso jornal exatamente por isso. Para lembrar a quem o conheceu e sublinhar a quem dele apenas ouve falar que esta homenagem honra Portugal por ali estar agora registado na memória necessária um dos maiores nomes da vida pública portuguesa do século XX por muitos motivos aqui ficando apenas alguns:

  • ímpar serviço à democracia
  • exemplo na tolerância política
  • adversário das ditaduras nomeadamente a “do proletariado” que enfrentou
  • na oposição à guerra civil que impediu juntamente com o cardeal de Lisboa, António Ribeiro e Álvaro Cunhal
  • fim da guerra colonial
  • Instalação e funcionamento da Assembleia da República
  • Aprovação da Constituição saída de Revolução de Abril
  • Criação do Serviço Nacional de Saúde
  • Abertura de Portugal ao Mundo com Mitterrand em Paris e Chanceler Khol em Bona (1)
  • Adesão à Comunidade Económica Europeia
  • Abriu Portugal ao Mundo e à civilização europeia

 

Referir a memória de Mário Soares, nestes dias cinzentos, onde espreitam todas as tentações antidemocráticas e mesmo fascistas, é pois um imperativo ético, exatamente por se ter verificado um esquecimento ou distração quase geral na imprensa portuguesa quanto ao acontecimento e seu significado.

Um evento desta natureza e significado merecia mais atenção editorial sobretudo quando a democracia definha nas suas expressões públicas. Perdemos todos uma oportunidade para explicar como a democracia se constrói a partir do exemplo deixado por este português que agora tem um jardim em Paris. Parabéns.

(1) Helmut Khol, Fraçois Mitterrand e Mário Sores foram líderes europeus fundamentais no fim do século XX, colaborando no fortalecimento da CEE/UE. Mitterrand presidente francês (1981-1995) e Khol (1982-1998) impulsionaram a unificação alemã e o Tratado de Maastricht, atuando simultaneamente com Soares, nas funções de primeiro-ministro e depois de presidente da República portugues) na integração europeia e consolidação democrática.

NB – fotos originais em João Soares e Carlos Beja

Por Arnaldo Meireles

Nos 100 anos de Mário Soares

 

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