Lusíadas Saúde concorre agora no setor dos cuidados ao domicílio

A Lusíadas Saúde entrou oficialmente no setor dos cuidados ao domicílio em Portugal através da marca HUG Lusíadas Home Care, resultado da aquisição da empresa Hug à Ó Capital. Será um concorrente a ter em conta sobretudo no litoral do país pelas IPSS que oferecem este serviço.

Esta aquisição surge num contexto político de liberalização dos serviços sociais abrindo a porta a propostas baseadas no lucro e concebidas a partir das opções dos seguros de saúde.

Esta possibilidade de “equidade” concorrencial entre setor privado, público e social foi uma das primeira novidades apresentadas pelo PSD quando substituiu o PS no Governo.

Em 2024 apresentamos neste jornal as linhas estratégicas do partido que suporta o Governo dando a conhecer as aspirações de Marco António Costa no encontro das Mutualidades Portuguesas que pode ver aqui.

Nessa altura falava-se da nova lei do financiamento social, mas pelo vistos demora a ser conhecida. Seja como for está o setor privado já em aquisições por confiança na narrativa oficial.

O que vai acontecer com a entrada da Lusíadas nos cudados domiciliários

  • Aquisição estratégica: Em dezembro de 2025, a Lusíadas Saúde comprou uma participação maioritária na empresa portuguesa Hug, anteriormente detida pela sociedade Ó Capital, liderada por Sara do Ó.
  • Nova marca: A operação deu origem à HUG Lusíadas Home Care, que passa a integrar o portefólio da Lusíadas Saúde como área especializada em geriatria e apoio domiciliário.

O objetivo é abraçar o envelhecimento como processo natural, oferecendo serviços que promovem qualidade de vida, confiança e independência da chamada “Geração 65+”.

Os serviços apresentados pela HUG Lusíadas Home Care

  • Cuidados clínicos domiciliários: consultas médicas, enfermagem especializada, apoio a doentes crónicos e paliativos.
  • Apoio domiciliário: ajuda técnica, acompanhamento diário, gestão de terapêutica e apoio em atividades de vida diária.
  • Promoção da autonomia: foco em manter os idosos no conforto do lar, evitando institucionalização precoce.
  • Rede integrada: articulação com hospitais e clínicas Lusíadas para garantir continuidade de cuidados.

Pontos críticos e desafios

  • Concorrência: O mercado português já conta com várias empresas de apoio domiciliário; a Lusíadas diferencia-se pela integração hospitalar.
  • Sustentabilidade: O envelhecimento da população portuguesa aumenta a procura, mas exige recursos humanos especializados e modelos financeiros viáveis.
  • Confiança: A marca Lusíadas pode atrair clientes pela reputação hospitalar, mas terá de provar eficácia no ambiente domiciliário

O Desafio estratégico para o Setor Social

  • As IPSS não têm cultura comercial e por isso terão dificuldade em enfrentar a concorrência direta
  • Vivem do apoio do Estado por utente e da participação deste, praticando custos baixos por não visarem o lucro
  • Os seus trabalhadores especializados vão ser procurados  num regime concorrencial.
  • Ceticismo do Governo nas soluções sociais por não serem “modelos financeiros viáveis”

Em resumo, as instituições de solidariedade social em Portugal estão submetidas a um cerco de natureza que pode colocar em causa a sua autonomia e identidade sobretudo se virmos o cerco do setor privado (e financeiro= banca e seguros) ao mesmo tempo que nos municípios enfrentam  as mesma instituições uma concorrência mais difusa mas igualmente perigosa.

Acresce a isto que a entidade política que devia estar atenta a este perigo estratégico e tomar medidas para defender as IPSS está em letargia sonolenta e por isso não reage; ou pior, quando avisada, entende que tal informação é uma “irritação”.

Por Arnaldo Meireles

 

 

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