A lapidação do mundo pelos emigrantes portugueses

A história do mundo conhece a emigração portuguesa que promoveu o desenvolvimento das civilizações. Foram os portugueses pioneiros no cruzamento de gerações, civilizações e raças. Um património que nos orgulha mas infelzismente esquecido ou não tido em conta quando, em pleno século XXI, mostramos dificuldade em aceitar os atuais emigrantes, muitos deles vindos dos países irmãos que outrora colonizamos.

Lembremos pois neste artigo a odisseia dos nossos antepassados desde a idade Média que se lançaram ao mar e que hoje constituem provavelmente o contributo mais nobre que Portugal deu ao mundo.

Portugal e as civilizações: um ponto de partida

  • Desde o século XV, com os Descobrimentos, Portugal tornou-se um dos principais agentes da globalização, ligando continentes e culturas.
  • A expansão marítima portuguesa levou à criação de comunidades lusófonas em África, Ásia e América, influenciando civilizações locais com a língua, religião e costumes portugueses.
  • Essa presença global criou raízes que ainda hoje se refletem em países como Brasil, Angola, Goa (Índia) e Timor-Leste.

A emigração portuguesa ao longo dos séculos

  • Século XIX e XX: milhões de portugueses emigraram em busca de melhores condições de vida, especialmente para o Brasil, França, Luxemburgo, Suíça e EUA.
  • Motivações: pobreza, desemprego, guerras, repressão política e o desejo de aventura foram fatores determinantes.
  • Impacto cultural: os emigrantes levaram consigo tradições, gastronomia, música e valores que enriqueceram as sociedades de acolhimento.

Interculturalidade e convivência

  • A emigração portuguesa não só influenciou outras civilizações, como também foi moldada por elas.
  • Em países como França e Luxemburgo, os portugueses criaram comunidades vibrantes, contribuindo para a diversidade cultural e o diálogo intercultural.
  • A convivência entre culturas tem sido um desafio e uma oportunidade para promover o respeito, a solidariedade e a integração.
Toda a Gente é Pessoa – olhares diferentes e a mesma língua

Somos filhos de quem?

Convém estudarmos a nossa árvore genealógica, aprofundá-la até conhecermos que o nosso ADN provém de opções multiculturais e acontecidas por abertura à novidade e à necessidade circunstancial de aculturação dos nossos antepassados em tantos países.

E falemos apenas na vertente humana para percebermos o essencial quando falamos de pessoas diferentes na raça, na cor da pele, nas opções individuais que tomamos. Basta apenas uma frase que os portugueses podem ostentar: Toda A Gente é Pessoa!

E foi neste esforço que milhões de seres humanos se viram habitados pela língua portuguesa: essa mãe generosa que nos une na fala e nos explica o dom da pertença a algo que nos transcende. Vivemos em transição no tempo; mas experimentamos a partilha dos dias, que se evidencia nos “quatro cantos do mundo”

Gastronomia

  • Introdução de pratos típicos como bacalhau, caldo verde, pastéis de nata e bifanas em países como França, Luxemburgo, Suíça e Brasil.
  • Criação de restaurantes e padarias portuguesas que se tornaram pontos de encontro cultural.
  • Difusão do fado e de músicas populares portuguesas, especialmente em comunidades emigrantes.
  • Organização de festas tradicionais como o São João e o Santo António, que atraem não só portugueses como também locais curiosos pela cultura.
  • Formação de bairros com forte identidade portuguesa, como o bairro da Goutte d’Or em Paris ou zonas lusófonas em Newark (EUA).
  • Influência na arquitetura local com elementos como azulejos e fachadas típicas.
  • A língua portuguesa tornou-se comum em várias regiões, especialmente em países lusófonos como o Brasil e Angola, mas também em comunidades na Europa.
  • Expressões e palavras portuguesas foram incorporadas ao vocabulário local em alguns contextos.
  • Valorização da família, da solidariedade e do trabalho árduo como traços culturais reconhecidos pelos locais.
  • Influência na religiosidade, com a introdução de práticas católicas e devoções populares como a de Nossa Senhora de Fátima.
  • Criação de escolas e centros culturais portugueses que promovem a língua e a história de Portugal.
  • Participação ativa de emigrantes em universidades e instituições culturais, contribuindo para o intercâmbio de saberes.

A Civilização “perfeita”

O mito da “civilização perfeita” não é novo nos dias de hoje. Infelizmente, a idade moderna deu-nos a conhecer o ideia da “raça perfeita” e por isso a consideramos o perigo dos perigos da humanidade.

A ideia de uma “raça superior” não tem base científica e está ligada a ideologias perigosas e profundamente erradas que, historicamente, levaram a discriminação, violência e genocídios.

Nenhuma civilização pode ser considerada superior por causa da sua “raça”, pois a diversidade humana é uma riqueza e não um critério de hierarquia.

A riqueza da diversidade humana

Os portugueses provaram ao  mundo que a emigração não é um perigo em si, mas sim um fenómeno complexo que pode trazer desafios e oportunidades — tanto para os países de origem como para os de destino. Tudo depende de como é gerida e das condições em que ocorre.

A emigração é positiva

  • Alívio demográfico: em países com excesso de mão de obra ou desemprego elevado, a emigração pode reduzir a pressão sobre os serviços públicos.
  • Remessas: emigrantes enviam dinheiro para as famílias, o que fortalece a economia local.
  • Troca cultural e conhecimento: muitos emigrantes regressam com novas competências, ideias e experiências que beneficiam o país de origem.

Potenciais riscos da emigração

  • Fuga de cérebros: quando profissionais qualificados abandonam o país, pode haver escassez de talento em áreas essenciais.
  • Desintegração familiar: separações prolongadas podem afetar relações familiares e o bem-estar emocional.
  • Emigração irregular: quando feita sem documentos ou por rotas perigosas, expõe pessoas a tráfico humano, exploração e até morte
  • Desafios de integração: nos países de destino, a falta de políticas adequadas pode gerar marginalização ou tensões sociais.

Declarações recentes sobre emigração

  • O almirante Gouveia e Melo, por exemplo, destacou que a imigração é essencial para o crescimento económico de Portugal, mas reconheceu que ainda é uma questão mal resolvida.
  • Já o Presidente de Angola alertou para riscos diplomáticos se Portugal não tratar bem os imigrantes, lembrando que os portugueses também foram acolhidos em muitos países.

Em resumo: a emigração só se torna um perigo quando não é acompanhada por políticas humanas, seguras e bem estruturadas.

Brevemente: Os desafios da sociedade civil para garantir aos emigrantes o reagrupamento familiar

Por Arnaldo Meireles

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