A Conferência Episcopal Espanhola e outras organizações da Igreja haviam solicitado a legalização de imigrantes indocumentados por meio de uma iniciativa legislativa cidadã e acolheram com satisfação o decreto governamental que resolve essa situação. Mas esta posição não é consensual na Igreja Católica de Espanha.

A Igreja espanhola, tanto por meio da CEE – que solicitou ao PSOE em junho a utilização do valor constante no decreto – quanto por meio de outras organizações como a Cáritas, foi uma das promotoras da iniciativa legislativa popular para regularizar os migrantes e argumenta que essa medida está em consonância com a Doutrina Social da Igreja.
Nos setores ultraconservadores da Igreja, porém, a prática de fazer contribuições por meio do governo voltou a ser questionada, e houve apelos para que se deixe de marcar a opção na declaração de imposto de renda. Cabe também destacar que líderes proeminentes do Vox e de outras organizações de extrema-direita e ultranacionalistas criticaram a mensagem de Argüello nesta semana, na qual ele celebrou a medida do governo.
A passagem do Evangelho “para que todos sejam um”, cunhada como um axioma para expressar o desejo de unidade entre todos os cristãos, também poderia ser aplicada ao episcopado espanhol. Enquanto o presidenteda Conferência Episcopal Espanhola celebrou a regulariação de imigrantes indocumentdos, através do decreto aprovado pelo governo esta semana, assim como os bispos catalães, a ala mais conservadora do episcopado espanhol não tardou em expressar as suas discordâncias e criticar a medida tomada pelo governo de Pedro Sánchez.

O arcebispo de Oviedo, Jesús Sanz, que já se envolveu noutras disputas com outros bispos sobre questões de imigração, questionou quantos migrantes a Espanha pode acolher, acrescentando logo em seguida que “não há espaço para todos”. Ele também pediu “medidas sensatas”.
“Acolhemos os imigrantes. Mas quantos podemos acolher? Não há lugar para todos, e devemos estabelecer medidas sensatas — não populistas ou demagógicas — para acolher aqueles que são bem-vindos, rejeitando aqueles que, estranhamente, conseguem entrar”, declarou o bispo na sua conta nas redes sociais, começando a mensagem com um fragmento do Evangelho de Mateus: “Eu era estrangeiro e vocês me acolheram”.

Outro prelado da ala mais conservadora da Igreja espanhola, José Ignacio Munilla, da diocese de Orihuela-Alicante, expressou-se em termos semelhantes e também criticou a medida que o governo de Pedro Sánchez acordou com o Podemos.
Munilla acredita que tanto a regularização dos migrantes quanto o decreto omnibus que continha a reavaliação das pensões, revogado na terça-feira pelo Congresso, são semelhantes porque ambas as medidas “são estratégias para atingir outros objetivos”.
Ele também destaca que se trata de uma “maneira ardilosa de proceder” que “demonstra claramente o desprezo que nossos governantes têm pelos aposentados e imigrantes, que são usados como moeda de troca”.
Ele também critica o governo por abordar “questões tão importantes pelas vias indiretas”. Na opinião do bispo, “o diálogo parlamentar necessário está a ser sufocado e as nuances apropriadas estão a ser impedidas” em ambas as iniciativas do governo, visto que uma não deveria ser submetida às Cortes Gerais (Parlamento espanhol) e a outra inclui diversas outras questões além do aumento das pensões.
Regularização dos migrantes pedida pela Igreja
A Igreja espanhola, tanto por meio da CEE – que solicitou ao PSOE em junho a utilização do valor constante no decreto – quanto por meio de outras organizações como a Cáritas, foi uma das promotoras da iniciativa legislativa popular para regularizar os migrantes e argumenta que essa medida está em consonância com a Doutrina Social da Igreja.
Nos setores ultraconservadores da Igreja, porém, a prática de fazer contribuições por meio do governo voltou a ser questionada, e houve apelos para que se deixe de marcar a opção na declaração de imposto de renda. Cabe também destacar que líderes proeminentes do Vox e de outras organizações de extrema-direita e ultranacionalistas criticaram a mensagem de Argüello – presidente da Conferência Episcopal Espanhola – nesta semana, na qual ele celebrou a medida do governo.
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