Religião & Política – o casamento infeliz

No alinhamento da religião e da política o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa e Putin apresentam uma narrativa imperial que agora visa a visão plural da Europa Ocidental, com apoio do atual poder nos USA

Neste vídeo o patriarca russo considerou que os russos devem agradecer a Deus por Putin e por um “tempo próspero” dado que vivem hoje num “tempo muito próspero”, uma vez que Vladimir Putin é o “primeiro presidente ortodoxo desde o tempo dos czares”.

Para o Patriarca Kirill: “Às vezes, até pensamos: ‘Meu Deus, isto é realmente verdade?'”, disse o primaz durante um sermão na Igreja do Grande Príncipe Vladimir, em Krylatskoe.

Na opinião de Kirill, “devemos agradecer a Deus pela nação em que vivemos e, para ser franco, pelo poder… e, claro, por tudo o que a Rússia está a fazer hoje”, observou o patriarca.
Neste sentido apelou aos russos para “trabalharem para o bem da Igreja e da Pátria e evitarem todas as tentações que por vezes são impostas pelos inimigos do país”, que procuram “desviar” os seus cidadãos “do excelente curso de desenvolvimento civilizacional”.
“Então, evitaremos os enormes problemas com que o Ocidente, desenvolvido científica, tecnologicamente e financeiramente, se depara. Não vamos julgar ninguém, mas a crise espiritual e moral dessa sociedade é perfeitamente evidente”, referiu o chefe da Igreja Ortodoxa Russa.

Religião & Política – casamento infeliz

Na Rússia, o conformismo religioso está fortemente ligado ao nacionalismo e ao poder político, com a Igreja Ortodoxa funcionando como pilar da identidade nacional e legitimando o Kremlin. Nos EUA, o conformismo religioso se manifesta na ideia de “religião civil”, onde valores cristãos moldam a política e a cultura pública, mas dentro de um sistema pluralista e marcado pela liberdade religiosa.
Rússia – Religião como braço do Estado
  • Igreja Ortodoxa Russa como pilar nacional: É apresentada como “a alma do povo russo” e parte da estratégia política de Vladimir Putin.
  • Sacralização do poder político: O Patriarcado de Moscou, sob Kirill, legitima o poder estatal e até a guerra, elaborando narrativas imperiais como o “Mundo Russo”.
  • Histórico de simbiose: Apesar do período ateísta soviético, desde os anos 1990 a Igreja recuperou espaço e hoje atua em estreita colaboração com o Kremlin.
  • Conformismo religioso: A fé ortodoxa é usada como instrumento de coesão social e de justificação política, reduzindo espaço para dissenso religioso e político.

Estados Unidos – Religião e pluralismo civil

    • Fundação religiosa: Desde os peregrinos puritanos, a política americana foi moldada por valores cristãos.
    • Religião civil: Conceito descrito por Robert Bellah, inspirado em Rousseau, que mostra como símbolos e valores cristãos permeiam a vida pública sem se restringir a uma denominação.
    • Pluralismo religioso: A Primeira Emenda garante liberdade religiosa, permitindo coexistência de múltiplas tradições.
    • Conformismo religioso: Aparece em movimentos como a “Maioria Moral” nos anos 1970, que buscava alinhar política conservadora com valores cristãos.
    • Diferença chave: Nos EUA, religião influencia mas não monopoliza o poder; há espaço para contestação e diversidade. Embora esta tendência esteja a perder influência no mandato do presidente Trump.

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Foto: in FoxNews

 

 

 

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