

Habermas – Isto está tudo ligado
LIVROS & IDEIAS – O filósofo alemão Jürgen Habermas faleceu, anunciou a sua editora neste sábado, 14 de março de 2026, com base em informações da família do intelectual. Ele morreu aos 96 anos em Starnberg, no sul da Alemanha.
Jürgen Habermas foi um dos filósofos mais influentes do século XX e início do XXI, reconhecido mundialmente por renovar a Teoria Crítica, formular a Teoria da Ação Comunicativa e defender uma democracia baseada no diálogo racional entre cidadãos.

O trabalho de Habermas trata dos fundamentos da teoria social e da epistemologia, da análise da democracia nas sociedades sob o capitalismo avançado , do Estado de direito num contexto de evolução social (no qual a racionalização do mundo da vida ocorre mediante uma progressiva libertação do potencial de racionalidade contido na ação comunicativa, de modo que a ação orientada para o entendimento mútuo ganha cada vez mais independência dos contextos normativos) e da política contemporânea, particularmente na Alemanha.
- Filósofo e sociólogo alemão, nascido em 1929 e falecido em 2026 aos 96 anos.
- Principal representante da segunda geração da Escola de Frankfurt.
- Dedicou-se a temas como democracia, esfera pública, linguagem, racionalidade e integração europeia.
- Participou ativamente dos debates políticos do pós‑guerra, tornando-se uma das vozes morais mais respeitadas da Europa.
As vertentes da análise e reflexão do seu pensamento
Teoria da Ação Comunicativa
- É a sua obra mais importante.
- Defende que a racionalidade humana não se reduz à técnica ou ao cálculo: existe uma racionalidade comunicativa, baseada no diálogo orientado ao entendimento.
- A sociedade deve ser organizada de modo que as decisões sejam tomadas pela força do melhor argumento, não pelo poder econômico ou burocrático.
Esfera Pública
- Habermas descreve a esfera pública como um espaço de debate racional entre cidadãos.
- Democracias saudáveis dependem de uma esfera pública vibrante, livre e crítica.
- Sua análise tornou-se referência mundial nos estudos de comunicação e democracia.
Democracia Deliberativa
- Propõe que a legitimidade política nasce do debate público inclusivo.
- Influenciou constituições, tribunais e teorias políticas contemporâneas.
- Defendeu a integração europeia como forma de superar nacionalismos.
Reconstrução da Modernidade
- Ao contrário de Adorno e Horkheimer, Habermas não vê a modernidade como fracasso total.
- Acredita no potencial emancipatório da razão e da comunicação.
- Propõe uma modernidade “inacabada”, que deve ser aperfeiçoada.

As Obras principais de Habermas (1962)
1. Mudança Estrutural da Esfera Pública (1962)
- Obra de estreia e uma das mais citadas.
- Analisa o surgimento da esfera pública burguesa e o papel da comunicação na democracia.
- Fundamenta estudos modernos de comunicação e mídia.
2. Conhecimento e Interesse (1968)
- Explora a relação entre formas de conhecimento e interesses humanos.
- Marco na epistemologia crítica.
3. Teoria da Ação Comunicativa (1981) — 2 volumes
- Sua obra-prima.
- Desenvolve a ideia de racionalidade comunicativa e diferencia “mundo da vida” e “sistema”.
- Influenciou profundamente sociologia, filosofia e ciência política.
4. Consciência Moral e Agir Comunicativo (1983)
- Introduz a ética do discurso, baseada na validade universal de normas discutidas racionalmente.
5. Direito e Democracia: Entre Facticidade e Validade (1992)
- Consolida sua teoria da democracia deliberativa.
- Discute legitimidade, constituição e participação cidadã.
6. A Inclusão do Outro (1996)
- Debate multiculturalismo, direitos humanos e universalismo.
- Defende uma ética inclusiva e dialogal.
7. Entre Naturalismo e Religião (2005)
- Discute o papel da religião em sociedades seculares.
- Propõe um diálogo racional entre perspectivas seculares e religiosas.
8. Também uma História da Filosofia (2019–2020)
- Obra monumental em dois volumes.
- Reinterpreta a história da filosofia ocidental sob a ótica da razão comunicativa.
Outras obras relevantes
- A Técnica e a Ciência como Ideologia (1968)
- Problemas de Legitimação no Capitalismo Tardio (1973)
- A Crise de Legitimação (1973)
- A Nova Intransparência (1985)
- A Constituição da Europa (2011)
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