Platão – filósofo da Grécia Antiga, provavelmente nascido 428 anos antes de Cristo , escreveu A República, aproximadamente pelo ano 380 aC.- onde faz uma análise profunda sobre a democracia, apontando as suas fragilidades e as consequências inevitáveis da liberdade desmedida.
Ora apontava o filósofo, na altura, que a democracia, ao buscar uma liberdade irrestrita e a satisfação dos desejos imediatos das massas, acaba degenerando-se numa tirania.
O grande problema de Platão com a democracia não está pois no conceito de liberdade, mas na sua aplicação descontrolada, onde os governantes, em vez de serem escolhidos pela virtude e sabedoria, são aqueles que sabem manipular os sentimentos do povo, atendendo às suas expectativas mais imediatas.
A consequência disso é um governo instável, onde as verdadeiras qualidades de liderança, como a sabedoria e o compromisso com o bem comum, são sacrificadas em nome da popularidade e do imediatismo.
Acontece que nos dias de hoje, observamos em diversas partes do mundo líderes que se aproveitam das fragilidades dos sistemas democráticos, fazendo uso da retórica populista e manipulando as massas para garantir sua ascensão e permanência no poder.
Em vez de promoverem políticas públicas baseadas na razão e no bem comum, esses líderes apelam para as emoções da população, oferecendo soluções fáceis e rápidas para problemas complexos.
Isso cria uma falsa sensação de progresso, enquanto o sistema democrático vai sendo corroído de dentro para fora, levando à centralização do poder e à redução das liberdades individuais.
A qualidade dos governantes e das lideranças
A verdadeira liderança deveria ser exercida pelos filósofos – defendia Platão-, aqueles que buscam a verdade e a justiça, que possuem sabedoria e discernimento para tomar decisões em nome do bem coletivo.
Isto embora o autor coloque a questão: num sistema democrático, onde as virtudes e a sabedoria não são as principais qualidades para a liderança, como podemos garantir que aqueles que ocupam o poder realmente governem com justiça e responsabilidade?
Platão responde a isso de forma desconcertante: num sistema democrático mal estruturado, os governantes frequentemente serão os piores, aqueles que sabem manipular a opinião pública em vez de agir com base na razão e no bem comum.
Isto se discutia ainda Cristo era uma esperança do Espírito Santo… e agora que olhamos para as democracias modernas cheias de problemas precisamos de questionar a qualidade dos líderes que escolhemos e a verdadeira natureza do poder nas democracias modernas.
É preciso compreender que as democracias, por mais que garantam direitos e liberdades, podem ser facilmente corrompidas se não houver um compromisso real com a ética, a sabedoria e o bem coletivo.
O sistema democrático pode, sim, ser uma plataforma para o progresso, mas apenas se os cidadãos e os líderes estiverem dispostos a respeitar os valores fundamentais da justiça e da virtude.
A responsabilidade é de todos – governantes e governados
Perante isso, uma reflexão mais profunda sobre a democracia leva-nos a entender que a responsabilidade não recai apenas sobre os governantes, mas sobre cada um de nós como indivíduos e cidadãos.
Não podemos esperar que as mudanças venham exclusivamente do governo, que, como Platão bem aponta, frequentemente estará mais preocupado com a sua própria permanência no poder do que com o bem comum.
O verdadeiro poder transformador está na ação consciente do cidadão, que deve não apenas participar das eleições, mas também se comprometer ativamente na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada.
É fundamental que o cidadão exerça a sua função de fiscalizador, questionando, cobrando e, principalmente, educando-se para compreender as implicações das decisões políticas e o impacto delas no futuro da sociedade.
Portanto, não devemos esperar nada dos governos sem também nos comprometer com as nossas próprias responsabilidades.
Se desejamos uma democracia verdadeira e justa, precisamos ser cidadãos ativos, críticos e conscientes de que a mudança não virá de um governante ou de um partido político, mas da nossa própria capacidade de exigir, questionar e trabalhar em conjunto para garantir que as virtudes da justiça, da sabedoria e do bem comum prevaleçam.
Como referiu Platão, a democracia só é possível quando os indivíduos entendem o papel central que desempenham na construção do Estado e na preservação de seus valores fundamentais.

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